domingo, 6 de setembro de 2009
PAIS E FILHOS
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Eu ficava lá, nas escadarias daquela república de estudantes (Marragolo), sempre na esperança que ela surgisse com o seu sorriso faceiro... E quando surgia, acompanhada de sua irmã e amigas, creio que era dificil disfarçar o brilho do meu olhar e o tanto que eu desejava ter a presença dessa menina-mulher a todo instante.
Eu tocava o meu violão e ela cantava com sua voz macia, gostosa, feminina... "Hoje o tempo parece tranquilo..." e em cada acorde parecia que ela ouvia toda a forma de poesia que meu amor a ela declarava. Estava lá calado, mirando aqueles olhos e viajando naquele casamento de corda e voz.
Também admirava aquele corpinho convidativo aos mais deliciosos desejos, imaginando a intensidade do prazer no calor de um abraço ou de um interminável beijo.
Naqueles tempos a conquista era sutil, eram os olhares furtivos, os sinais, os sorrisos e até a forma de andar... Havia poesia e o namoro começava não no momento do beijo, mas principalmente da conquista.
E foi assim que se deu com a minha amada... Quando nos vimos, estavamos dançando e nos beijando no "Baile do 12", em Ouro Preto e foram tantos os beijos que, segundo o relato dela, o pescoço ficou doendo, uma vez que sou mais alto do que ela. Nesse mesmo dia, ela partia de volta para Belo Horizonte, levando o meu coração.
Namoramos por cerca de 6 meses entre longas cartas, cartões, fitas gravadas com musicas e declarações de amor e nas esperadas vezes em que viajava para vê-la em BH. Namoro em casa, em meio a uma infinidade de irmãs e a cortesia natural e hospitaleira dos seus pais, a costumeira hospitalidade mineira... Tato no trato!
Mas como aquela menina de 16 anos poderia entender os caminhos do amor e daquele jovem coração apaixonado que sonhava com planos bem mais ousados do que o nosso tempo de namoro e mesmo a nossa idade permitia.
O amor chegou, encantou e assustou. Ela me amava e mais do que ela mesmo imaginava... Isso viria a ser revelado ao longo do tempo em que estivemos separados um do outro. Minha presença nunca deixou de existir, nas cartas, nas fotos, nos objetos, na musica, na lembrança... Tantos namorados, mas em meio a uma ou outra solidão, era a minha imagem e presença que era lembrada e desejada... Eu, também por outros caminhos, imaginando que ela havia encontrado o dela e estava feliz... Eu, apesar de todos os casamentos, ainda à procura daquela que se encantaria com a poesia do meu amor... Era ela mesmo, eu havia sentido mas não percebido a identificação deste sentido; o que vim a saber quase 28 anos depois, com o nosso inusitado reencontro.
Como distinguir os tantos amores do seu grande amor?
É diferente... A admiração e o respeito pela pessoa amada... Não da pessoa porque é sua amada, mas da pessoa pelo o que ela é, em todos os seus jeitos e gestos, é algo que faz parte da própria existência do sentimento. Claro que você conhece pessoas ao longo da vida. Gosta de algumas e outras até mesmo ama, mas ainda assim é diferente... É como se o amor, a admiração e o respeito fosse um sentimento distinto... São partes, mas não é o todo integrado, inserido, curtido e fundido. É como as várias qualidades de alguém fizessem parte de um "check-list". No grande amor não é assim... Tudo é um só... O sentimento de respeito, admiração, carinho, ternura, tesão... Tudo faz parte de uma identificação com o todo daquela pessoa e com o todo de nós mesmos.
Eu tenho muita sorte de ter vivido e reencontrado o grande amor de minha vida.
Você deixa de olhar para a pessoa em si e é como se seus olhos mirassem além dela, dentro dela.
Quel, você é muito mais do que uma imagem, mais do que um sentimento, mas é a história da minha vida... Daquela que conscientemente eu tenho e daquela que intuitivamente parece-me ter existido ao teu lado tamanha é a nossa familiaridade e cumplicidade...
É minha gente, existe alguém que é só seu nessa vida. Agora posso acreditar nisso.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Um beijo
E o resumo de um desejo
A procura de um espaço
Onde eu encontre
O seu abraço
Me lanço
A memórias incessantes
A momentos, a instantes
Em que estive ao seu lado
Um beijo
E o retornar de um desencontro
E retomar todos os pontos
Tão sensíveis
Do teu corpo
E pouco a pouco
Lhe despir das suas verdades
Redescobrir com você
Outra vez
Felicidade
Amorninho... Amorninho = amor + ninho.
O mais belo e bem cuidado amor, que acolhe com carinho, ninho e morada daquela que escolheu ser para seu bem amado, a eterna namorada.
Há muito tempo nas águas da Guanabara, esse jovem despretencioso compositor, de sonhos diferentes dos demais de sua geração, lembrava daquela canção "Casa no Campo" e ali construia seu sonho principal, um lugar onde pudesse ficar do tamanho da paz, mas na canção, embora estivesse implícito, não externava o desejo maior, a da eterna namorada, aquela que se encantaria com a poesia do amor em mim cultivado, que me ensinaria também o verbo amar, da qual eu seria o bicho-papão dos segredos do seu coração.
E assim, nas minhas canções, seja para essa mulher identificada em formas de ser no meu imaginário, anônima ou com diferentes nomes, eu buscava, ou melhor, esperava essa bem amada.
Quase meio século depois ela veio. Apareceu, ainda menina, mas assustada, disse não... Depois, já madura, mas com a mesma graciosidade, surgiu como um sol no raiar da manhã nos meus belos horizontes... Esses os quais já quase não mais acreditava serem horizontes perdidos.
Todavia, a maior surpresa de todas seria constatar que minhas composições praticamente prediziam o que viria a acontecer. Nelas eu não a buscava, mas inexplicavelmente, a esperava... E ela surgiu, na identificação moral e ética de suas formas e ideais.
As canções, de peculiar beleza não apenas encantava, mas para a minha surpresa, profetizava o que viria a ser o encontro dos meus mais profundos desejos.
E assim, mesmo sem saber que era exatamente para ti, eu já te beijava e te desejava e te esperava, tudo isso para redescobrir em você, outra vez, a felicidade de te amar.
Essa imagem, em que nossas bocas exploram o universo um do outro, nesse sensacional big-bang do amor, resume meu amor, o desenho e sabor de nosso beijo.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
PASSADO A LIMPO
Recomeçar... Para muitos um fardo, para alguns uma dádiva, mas sempre um aprendizado. Faço, desfaço, escrevo, apago, rascunho, passo a limpo e assim vou revelando, como em uma fotografia, esse que "soul".
Fico pensando se deveria ou não deixar aqui meus registros, ou seja, àqueles que apaguei, como marco daquele determinado momento. Mas enfim, para que escrevo? A resposta que me vem à mente é de clareza solar: ser útil!
Este foi o conselho que em um dia, em certo momento de minha vida, ainda bem jovem, obtive de um velho e sábio amigo. "SEJA ÚTIL"
Ser útil comporta tudo, abrange o equilíbrio de ser, tanto para nós quanto para a vida. Ser útil para você, para o seu próximo, para a vida, para tudo. Na dúvida, perguntar-se de que maneira poderia ser mais útil, é uma boa dica de direção.
Por isso, recomeço sim, passo a limpo, porque quero também que meu verbo seja útil, seja um compêndio do aprimoramento de meu aprendizado de ser; que possa servir a alguém, seja para o surgir de um sorriso ou, ainda, o esquecimento de um pesar.
Minha expressão é sempre a do otimismo, o que se coaduna com as características do meu signo, o centauro com sua flecha direcionada ao infinito, para cima, para elevar nossa forma de ser, de viver, de pensar, de criar, de tudo enfim.
Como dizia um professor meu, se é para criticar, que seja no particular; se é para elogiar, pode ser em público e concordo plenamente com essa singela lição recebida ainda na minha infância/adolescencia.
De que vale a razão se o preço é ferir o coração e a esperança alheia? De que vale a razão se o resultado final e o mais evidente é a humilhação? Mais vale a generosidade (que gera generosidade) do que a falsa impressão de estar se fazendo "o bem" para alguém (muito das vezes uma forma ignorante de externar as próprias ignorâncias e medos de ser).
Prefiro ser assim mesmo, flecha apontada para o alto, mel na boca, porque de tudo o que venho aprendendo, duas lições evidenciam cada vez mais a essência do viver: 1) só o amor é real; 2) fora da caridade, não há salvação.
Assim sendo, se é para aprender na dor, a vida já se encarrega de fazer isso direitinho, a nós, aprendizes do viver, cabe sempre lembrar que é no amor que conseguimos adquirir a coragem e forças necessárias para sermos pessoas mais felizes com a vida, com a realidade que nos cerca e com nossos limites de ser, cuja superação vem com o tempo, se assim o quisermos.
Pois é, eis-me aqui, recomeçando e passando a limpo. Letras não mais ao léu, mas rascunhos de mim, aqui dedicadas para que possam não apenas serem letras soltas, mas úteis aos seus e nossos olhos.
Até a próxima.


